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Hora de uma frente de esquerda com agenda alternativa

Em reunião da Executiva, Marcio Pochmann defende união e mobilização dos movimentos sociais para deter avanço das bandeiras da direita

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Na opinião de Marcio Pochmann, ao movimento sindical não bastará continuar lutando para barrar medidas recessivas anunciadas pelo governo Dilma. Ao mesmo tempo em que exercita essa resistência, deve apresentar uma agenda alternativa, para disputar os rumos do governo.

Para dar substância e potência política a essa disputa, o caminho para a CUT e os movimentos sociais, incluindo as entidades mais jovens, é construir uma frente de esquerda.

O economista, presidente da Fundação Perseu Abramo, participou nesta quinta-feira da reunião da Executiva Ampliada da Central Única dos Trabalhadores, em São Paulo, quando apresentou uma análise de conjuntura.

A CUT, com as demais centrais, prepara uma marcha a ser realizada ainda neste mês, ao mesmo tempo em que mantém e aprofunda a articulação com os movimentos sociais por intermédio de um calendário de reuniões que tem se intensificado nos últimos meses, informou o presidente da Central, Vagner Freitas. Propostas de políticas públicas e de medidas econômicas defendidas pela CUT estão sendo atualizadas para fazer frente à conjuntura.Vagner, durante a reunião, cobra respeito às urnasVagner, durante a reunião, cobra respeito às urnas

Para Pochmann, o governo colocou no centro de sua política econômica “a primazia do fiscal”, medidas de austeridade para conter déficit nas contas internas e externas. “O governo engoliu o discurso dos opositores. Assim, vamos caminhar para uma recessão. Nós ficamos presos ao curtíssimo prazo”, disse.

Some-se a isso a crise da falta d’água, que vai atingir diretamente os pequenos estabelecimentos comerciais, e Pochmann acredita que o cenário próximo vai produzir “uma explosão de mobilizações no Brasil” a partir de maio.

 

Falência do sistema político

Há todo um contexto a emoldurar esse segundo mandato, segundo o economista. A falência do sistema político brasileiro e a fragilidade dos partidos são fortes componentes desse quadro, com consequente crise de representação de lideranças e instituições, exigindo uma reforma política. Para ele, que também é professor titular e pesquisador da Unicamp, o sistema capitalista brasileiro está igualmente falido, uma vez que as relações entre as grandes corporações e o setor público é mediado por máfias. Neste ponto, destaque também para a ausência de grandes blocos de investimento.

A disputa política é outra ameaça à economia brasileira. A investigação sobre a Petrobrás é um exemplo. “Os juristas udenistas, pelo menos esses que estão conduzindo o processo, tem uma visão de que é preciso quebrar a estatal”, comentou, em referência à proibição, via liminares, de que empresas citadas na Operação Lava Jato sejam proibidas de participar de licitações e que o fornecimento de mercadorias e serviços já contratado seja interrompido, mesmo antes do fim das investigações. “Que empresas então poderão tocar obras? As estrangeiras?”.

 

Não ao golpe

Ele lembrou que a direita tem se rearticulado não apenas com seus pares em solo nacional, mas internacionalmente. “A eleição do ano passado foi muito importante, pois a derrota do projeto político que reconduziu Dilma seria mais um tijolo na articulação da direita no mundo”.

“Apesar de estarmos no período democrático mais longo de nossa história, a tradição política brasileira é autoritária e precisamos desconstruí-la para ampliar a participação social e permitirmos nossa participação nas decisões que afetam toda a sociedade”, destacou.

“Nossas mobilizações precisam evidentemente ter o papel de criticar o governo naquilo que está errado, como já estamos fazendo. Mas não faremos coro com quem quer ignorar o resultado das urnas ou quer ver a destruição de um patrimônio do povo como a Petrobrás”, afirmou Vagner Freitas.

 

 

 

 

 

Atualizado em 31 de março de 2023

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